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// EDUCAÇÃO: Prova Brasil aponta índices preocupantes do ensino fundamental em MT

27/08/2018 00:00hs

 

EDUCAÇÃO

Prova Brasil aponta índices preocupantes do ensino fundamental em MT
Em Mato Grosso, os últimos resultados divulgados da Prova apontam Lucas do Rio Verde como melhor em desempenho; o índice, no entanto, foi de apenas 28%

Numa época em que cortes no orçamento destinado à Educação brasileira são cada vez mais frequentes, os últimos resultados divulgados da Prova Brasil assustam. Este exame, aplicado em todo o território brasileiro, tem por objetivo avaliar as competências de Língua Portuguesa e Matemática de alunos do 5º e 9º anos, turmas em início e finalização do ensino fundamental. Para avaliar o desempenho, tem-se por referência quatro níveis de proficiência, sendo eles insuficiente, básico, proficiente e avançado.

Os últimos resultados divulgados são de 2015 e mostram que tanto em Mato Grosso quanto no Brasil, existe ainda um longo caminho a percorrer. Enquanto a referência oficial de competência adequada a ser alcançada é de 70%, os resultados das escolas públicas da rede municipal de Mato Grosso nesta Prova mostram que dos 21.882 alunos do 5º ano na rede, somente 7.960 (apenas 37%) demostraram ter conseguido resolver os problemas de matemática. Em relação aos alunos do 9º ano, dos 5.748 alunos, somente 832 (apenas 14%) obtiveram resultado satisfatório.

Na rede estadual de ensino os resultados são piores. Dos 16.845 alunos do 5º ano, somente 5.771 (34%) demostraram algum entendimento do que era pedido na prova. Entre os alunos do 9º ano, esta porcentagem cai para 10%: de 32.487, somente 3.094 alunos conseguiram pontuação satisfatória no que diz respeito à resolução de problemas de matemática. Os resultados da Prova Brasil 2017 serão divulgados em dezembro deste ano.

No caso da avaliação da prova de Matemática, alunos do 5º ano que alcançarem uma pontuação de até 174 pontos tem desempenho considerado insuficiente; de 175 a 224 pontos, desempenho considerado básico; de 225 a 274, proficiente; e pontuação igual ou maior que 275 pontos, desempenho considerado avançado. Em relação aos alunos do 9º ano, para ser considerado insuficiente, a pontuação deverá ser de até 224 pontos; básico entre 225 a 299; proficiente entre 300 a 349 pontos; e avançado entre 300 a 349 pontos ou mais.

Em Mato Grosso, na avaliação do desempenho de alunos da rede municipal e estadual em Matemática, os melhores índices de desempenho vêm dos alunos de Lucas do Rio Verde, cujo desempenho em matemática no 5º ano representa 62% e no 9º ano, 28%. Já o município de Nossa Senhora do Livramento está entre as cidades com piores níveis: na rede estadual, os alunos do 9º ano – justamente aqueles que deveriam estar prontos para ingressar no Ensino Médio – tiveram um desempenho de apenas 3%.

Para Elisabete Queiroz, diretora da Travessia, empresa especializada em estratégia e diagnósticos, o sucesso da educação nos municípios depende da gestão. “Muito mais que captação de recursos, o sucesso dos alunos em avaliações como a Prova Brasil é resultado de uma boa gestão da educação, que depende de fatores como planejamento, comprometimento, engajamento do corpo docente com a base curricular nacional, com a formação continuada dos profissionais de educação e também da avaliação contínua e periódica, não somente dos alunos, mas de todo o corpo docente”, explica.

Segundo a diretora, ter um planejamento baseado no Plano de Metas e Resultados e Plano de Desenvolvimento Escolar é fundamental. Este, por sua vez, deve estar alinhado ao Projeto Político Pedagógico (PPP), além de contar com o comprometimento da equipe pedagógica, diretores e coordenadores pedagógicos em todo o ano letivo. “É preciso ainda engajamento com a base curricular nacional elaborada nos Planos Pedagógicos e formação continuada dos professores, bem como uma avaliação contínua. Assim como a aprendizagem dos alunos é avaliada periodicamente, precisamos também avaliar como está o nível de engajamento do corpo docente e da direção escolar com o ensino que está sendo ofertado”, frisa Queiroz.

Segundo a diretora, um exemplo de bom desempenho na educação atrelada à gestão de qualidade é o município de Sobral, no interior do Ceará, onde apesar de a renda domiciliar per capita ser relativamente baixa (R$ 436,87 em 2010) o comprometimento com a gestão da educação pública se mostrou um case de sucesso para todo o Brasil. Na avaliação da Prova Brasil de 2015, Sobral registrou uma taxa de 95% de sucesso entre os alunos do 5º ano e 63% entre alunos do 9º ano, ambos na disciplina de matemática. Em Lucas do Rio Verde, cidade que apresentou o melhor desempenho na prova em Mato Grosso, mas ainda assim não atingiu a média oficial de 70%, a renda domiciliar per capita era, em 2010, maior que o dobro de Sobral (R$ 892,15).

A renda média domiciliar per capita representa a soma dos rendimentos mensais dos moradores do domicílio, em reais, dividida pelo número de seus moradores. O levantamento de Renda domiciliar per capita foi elaborado a partir dos censos demográficos disponibilizados pelo DATASUS que, por sua vez, utiliza fontes do IBGE.

Em Sobral, o remodelamento de processos de gestão foi fundamental para tornar a cidade um exemplo, como a adoção de processo qualificado de seleção de diretores, isentando-se de influências político partidária; seleção pública e por concurso dos gestores escolares, além da estruturação da política educacional por meio de um conjunto de ações articuladas, sendo elas o fortalecimento da gestão escolar (concursos públicos de diretores e professores, formação continuada, autonomia administrativa, pedagógica e financeira para as escolas), fortalecimento da ação pedagógica (qualificação e organização do trabalho em sala de aula, formação continuada dos professores, material pedagógico e didático estruturado e avaliação externa), bem como a valorização e reconhecimento por desempenho e qualificação docente.

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